14 de fevereiro de 2018

escrito por Rosa


Acordei apaixonada. Lembrei que a manhã ainda cinza dessa quarta-feira de cinzas é manhã de São Valentim. Ontem, conversando com minha mãe ao telefone, ela me lembrou que no Líbano (ela é de lá) comemora-se o dia dos namorados. Qualquer googlada e você lê versões mil do porquê comemorar o dia dos namorados e todas elas, se olhadas sob a ótica do filtro problematizador resultam em: datas criadas para gastar dinheiro. Inclusive, eu não sabia, mas fiquei sabendo que 12 de junho foi uma data instituída por um publicitário, que é o pai do Dória, atual prefeito de Sp.

Enfim, informações comerciais à parte, lembrei que há um ano eu escrevia aqui nesse blog sobre o amor e a questão da reciprocidade. Mais especificamente, como amor não carece de reciprocidade, o amor existe e ele nos pertence, e, porque ele é nosso, fazemos com ele o que quisermos: expomos ou não, vivemos ou reprimimos, experenciamos ou desistimos. Se o texto interessar, ele está AQUI.

Acontece que, um ano depois, mesmo continuando a acreditar firmemente nisso, eu queria acrescentar algo muito importante que tenho aprendido ultimamente sobre o amor: a pulsão imensa que ele nos dá para ser bom/boa.

Há tempos tenho sentido isso em sala de aula: quanto mais carinho eu tenho pelo meus alunos e pela profissão, tanto mais eu quero ser a melhor pessoa possível para que o mundo seja um pouco menos ruim pra eles.

Falando assim, parece que eu sou um poço de candura. Não sou. Dentro de mim, moram muitas Marcellas. Aquela que é egoísta, invejosa, mal educada, cruel, preconceituosa. E eu luto, na medida do possível, contra elas. Nessa guerra, o amor tem sido meu maior aliado. O amor tem me feito silenciá-las com um poder raro:  não é que eu tenho medo que ele conheça essas versões de mim (eu não tenho. Na verdade, ele já as conhece), mas é porque o amor habita esse mundo que eu quero deixá-lo o melhor mundo possível...

É porque o amor é bom, que eu não posso ser ruim. É porque o amor acorda sorrindo, que não faz sentido não estar bem humorada. É porque amor cuida de mim, que eu não posso descuidar de mim mesma. É porque o amor chega, que a espera não pode ser vazia. É porque o amor sempre esteve dentro de mim, que eu não precisei só recebê-lo: mas trocá-lo. Concedendo meu melhor lado e recebendo de volta: o amor não cria as condições para que eu seja feliz - isso sou eu quem faço -, mas as escancara para mim.

Comemoremos o amor.

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O que eu digo quando eu digo que amo?

escrito por Rosa


Eu sempre digo para os meus alunos que nem 7 mil anos de filosofia ocidental documentada resolveu essa treta que é o amor, que dirá nós, pobres mortais, filhos da nossa era, impressionáveis com seriados criados por algoritmos falhos?

A gente não sabe o que é o amor.

A despeito de não saber, alguma coisa borbulha dentro da gente entre milhões de outras coisas que borbulham. Eu não sei, sinceramente, uma definição clara do que é amar, mas eu sei o que não é. E isso já me adianta bem a vida.

Ter a clara compreensão de que o amor se dá em modalidades diversas é algo fundamental para desobstruir uma sensação errada que muitas pessoas têm de 'falta de amor' ou de 'não estar amando'. Eu não me lembro de alguma passagem da minha vida em que eu não estivesse amando. Eu sei que tendemos a chamar de amor o amor romântico, mas é incrivelmente parecido o amor que temos por outras relações, a gente só não percebe.

Amor de amigo também deixa a gente com coração partido. A gente também cria expectativas com amor de mãe e de pai. Toda forma de amor gera as mesmas consequências.  O que difere é o quanto o mundo nos prepara para elas. O que eu quero dizer é que é absolutamente aceitável que o amor erra quando esse amor não é o de um parceiro romântico.

Se, por um lado, somos mais generosos em perdoar os erros dos amores não românticos, por outro, somos menos capazes de expressá-los e vivê-los como tal. A gente, às vezes, mecaniza o amar que a gente deve amar  "porque sim".

Mas isso é uma ilusão. O amor acaba em todas as esferas, porque ele é um construto e não é inato. Não tem nada a ver com sangue, não. A vida adulta ensina isso. Quando eu falo com minha mãe e digo que a amo é porque eu e ela construímos esse amor todos os dias. Igualmente quando digo que amo a Marina aqui do Magg, quem eu vejo pessoalmente poucas vezes no ano, mas que nunca sai de perto de mim e se envolve na minha vida e sente comigo.Eu não a amo porque um dia amei e fim.  Eu a amo porque todos os dias é construído por nós o amar.

Apesar disso...

Acho que cada um diz uma coisa quando diz que ama.  Nunca será a mesma coisa. Porque nunca seremos os mesmos. Precisamos e sabemos amar com o instrumental que temos em nossas mãos. E a verdade que tem gente que não ama como a gente. E confundimos isso com desamor.

A gente não sabe o que é o amor. DO OUTRO.

A gente só pode amar como a gente sabe amar e fim.

Por isso, o eu amo você, vindo do outro lado, deve ser recebido  com todo carinho do mundo, mas consciente de que nunca será plenamente acessível seu real significado.  E que bom que não.

Porque se tem poesia nessa vida ela está em saber que alguém nos ama - sabe-se lá como e por que - a despeito de não saber de forma alguma que cara tem esse amor. Mas - é essa a magia - senti-lo, forte, presente,preenchendo todas as partes lacunares do seu corpo e da sua vida, formando um todo inteiro, capaz de começar a segunda-feira dizendo:

como é bom estar aqui.

Boa semana para a gente.


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Somos Marcella Rosa e Marina Sena, parceiras no blog, na luta e na vontade de mudar - nem que seja um pouquinho - o mundo. O Maggníficas é um pouco de nós, porque aqui tem moda democrática, empoderamento feminino e amor próprio. Nosso foco é a sororidade e a vivência plena de todos os corpos, porque acreditamos que somos todas maggníficas e que todo mundo pode tudo!

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